Oito empresas disputam frequências para expansão da cobertura móvel

Leilão de 700 MHz deve ampliar sinal de celular em áreas rurais e rodovias

| GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Usuário tenta conectar celular em rede móvel. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) recebeu oito propostas para o leilão de subfaixas de 700 MHz, com objetivo de ampliar o sinal de celular em áreas rurais e rodovias federais em todo o país, incluindo Mato Grosso do Sul. O envio das ofertas ocorreu nesta quarta-feira (15), e a abertura dos envelopes está marcada para 30 de abril, com divisão do certame em blocos regionais.

Participam da disputa empresas como Claro, Tim, Telefônica, Brisanet, Unifique, MHNet, IEZ! Telecom e Amazônia Serviços Digitais. O edital limita a atuação a até duas regiões por empresa e busca ampliar a competição no setor, com entrada de operadoras de menor porte em áreas fora dos grandes centros.

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A faixa de 700 MHz é considerada estratégica para expansão do 5G. A frequência permite maior alcance de sinal e melhor penetração em áreas rurais e regiões com obstáculos naturais, como vegetação densa e relevo irregular. Esse tipo de cobertura reduz custos de infraestrutura e amplia o acesso em localidades distantes.

O modelo adotado pela Anatel não define metas por município. O edital estabelece obrigações com base em áreas sem cobertura e trechos específicos de rodovias federais. A medida direciona investimentos para regiões onde o serviço ainda apresenta falhas ou ausência total de sinal.

Entre as prioridades estão seis rodovias federais: BR-101, BR-116, BR-135, BR-163, BR-242 e BR-364. Em Mato Grosso do Sul, o impacto recai principalmente sobre as BR-163 e BR-364, que cortam o Estado e concentram grande fluxo de cargas e passageiros. Trechos dessas vias ainda apresentam instabilidade ou ausência de conexão móvel.

Dados do Ministério das Comunicações indicam que o Brasil possui cerca de 75 mil quilômetros de rodovias federais pavimentadas. Cada operadora cobre, de forma individual, no máximo 24 mil quilômetros. O número representa cerca de um terço da malha total, o que evidencia lacunas no serviço.

A proposta do governo prevê ampliar a cobertura em rodovias em até 60% nos próximos quatro anos. A meta inclui não apenas expansão do sinal, mas melhoria da qualidade da conexão, com capacidade para suportar serviços digitais e comunicação em tempo real.

O edital também determina atendimento a centenas de pequenas localidades. Essas áreas incluem distritos, comunidades rurais e pontos afastados dos centros urbanos.

Outro ponto previsto é a itinerância entre operadoras. O mecanismo permite que usuários utilizem redes de outras empresas em locais onde não há cobertura da sua prestadora. A medida busca reduzir falhas de sinal e ampliar o acesso imediato, mesmo antes da expansão completa da infraestrutura.

Além da ampliação do serviço, o leilão deve gerar recursos para a União. Parte dos valores arrecadados será direcionada à expansão da infraestrutura de telecomunicações. O governo prevê início dos investimentos ainda em 2026, com impacto gradual nas áreas atendidas.



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