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Cúpula da Fifa garante apoio a Infantino, que envia pedido de desculpas a federações
Dirigente enfrenta forte pressão na presidência após plano de venda de ações para investidores privados
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
A Fifa divulgou nesta quarta-feira um comunicado pouco depois de o presidente Gianni Infantino se reunir com funcionários de alto escalão em Rabat, no Marrocos. O dirigente enfrenta forte pressão no cargo depois de divulgar um plano de venda de ações para investidores privados.
A nota afirma que "o secretário-geral e todo o conselho de administração reafirmam seu total apoio ao presidente Gianni Infantino, como o único eleito pelas 211 associações-membros da Fifa".
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O comunicado também informa que uma carta foi enviada às federações e membros do Conselho com pedido de desculpas e com a promessa de que um relatório sobre o episódio será produzido para ser apresentado na próxima reunião do Conselho.
"Ficou acordado que não foi a intenção de que o Conselho da Fifa e que as Associações-membros se sentissem excluídas do processo e que o processo poderia ter sido feito de forma diferente. Depois, foi reconhecido que erros também foram cometidos após a proposta ter vazado na imprensa", diz a nota.
A ideia de criar uma subsidiária aberta a investimento privado imediatamente enfrentou grande resistência e foi criticada duramente por dirigentes do futebol mundial - principalmente a Uefa, confederação que reúne as associações da Europa. Os planos foram abandonados, mas a entidade europeia defende, agora, uma mudança na presidência da Fifa.
O comunicado publicado nesta quarta-feira diz que "com o projeto retirado, a Fifa não irá mais tolerar ataques à sua integridade, governança e processos e tomará as medidas necessárias para proteger seu nome e reputação".
Logo depois da reunião, Infantino esteve em um estádio da cidade marroquina para ver Malauí x Zâmbia pela Copa das Nações feminina da África. Ao lado dele, estava o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, que nesta semana enviou aos funcionários da entidade um e-mail crítico sobre o projeto do presidente da federação.
O Marrocos é um dos países que se mantêm fieis a Infantino nesse momento de crise. Uma das sedes da Copa de 2030, briga para que a cidade de Casablanca receba a final da competição - a Espanha também quer a partida.
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A atual crise na Fifa criou um cenário que até semanas atrás parecia improvável, o de uma oposição com chances de vencer Infatino.
Em abril, o atual presidente anunciou, durante o Congresso da entidade, que seria candidato à reeleição no pleito previsto para o ano que vem - que será em Rabat, mesmo local da reunião desta quarta.
Naquele momento, três confederações declararam apoio ao dirigente: a Conembol, a AFC, da Ásia, e a CAF, da África - as três somam 111 votos, mais do que a metade necessária para reeleger o dirigente.
Agora, com a oposição aberta da Uefa, com a Concacaf crítica e possíveis dissidentes nas outras organizações, há espaço para uma candidatura rival - um dos nomes comentados é o do canadense Victor Montagliani, que comanda a confederação das Américas do Norte e Central e do Caribe.
Leia a carta assinada por Infantino e Grafstrom aos membros do Conselho da Fifa:
"Caros vice-presidentes e membros do Conselho da Fifa
Gostaríamos de oferecer a vocês uma atualização conjunta sobre a reunião que tivemos com membros da cúpula de administração da Fifa nos escritórios em Rabat, no Marrocos. O foco da reunião foi abordar os eventos dos últimos dias e permitir dar a vocês uma atualização.
Primeiramente, o grande trabalho da administração da Fifa assegurou a entrega com sucesso da Copa do Mundo de 2026, como visto, e que não seria possível sem o presidente da Fifa, o secretário geral e a cúpula de administração conversando como uma só voz e trabalhando como um time.
Para evitar dúvidas, o secretário-geral da Fifa e a cúpula de administração reafirmam o total suporte ao presidente da Fifa Gianni Infantino como o único oficialmente eleito pelas 211 associações membros da Fifa. O presidente da Fifa reitera seu total suporte ao secretário-geral e à administração por seu necessário e ilustre trabalho na entrega de sua visão. Foi discutido e acordado na reunião que os processos, comunicações e interações entre o presidente da Fifa, o secretário-geral e cúpula de administração que apoiam a entrega desta visão podem e devem ser continuamente melhoradas, em termos de sua eficiência.
Estamos completamente confiantes de que as soluções da reunião de hoje irão fortalecer o governo da Fifa a restaurar a confiança na organização e nos permitir preparar para os grandes eventos e desafios à frente, de uma maneira unida e transparente, enquanto continuamos nossa missão de desenvolver o esporte pelo mundo.
Neste contexto, admitimos os erros que foram cometidos no processo de propor a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE). Não era certamente a intenção que o Conselho da Fifa e as Associações Membros se sentissem excluídas do processo, e isso deveria ter sido lidado de maneira diferente. Admitimos que erros foram cometidos depois de a proposta fazer para a imprensa"
Entenda o caso
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, saiu em três dias de todo-poderoso do futebol mundial a dirigente na berlinda na presidência da Fifa. O plano de criar a empresa Fifa Foward Enterprise (FFE) para a venda de ações a investidores privados fracassou rapidamente, e Infantino vive seu momento mais pressionado desde que assumiu o cargo.
A ideia de Infantino era criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.
Com a impressionante rejeição e pressão sofridas, Gianni Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta, três dias após ter anunciado a possibilidade da venda de ações da Fifa a investidores privados.
A Uefa, que reúne as federações europeias, defendeu abertamente a mudança na presidência. Mas Infantino tem apoiadores importantes, caso do Marrocos - uma das três principais sedes da Copa do Mundo de 2030 - e tampouco sofreu críticas por parte da Conmebol, confederação sul-americana de futebol e uma das mais importantes mundialmente. Amparado a isso, pode tentar se sustentar no cargo até março, quando haverá a eleição para tentar seu quarto e último mandato.
O Conselho da Fifa pode convocar reunião de emergência para tratar da saída de Infantino caso 19 de seus 37 membros a solicitem. A distribuição dos 37 membros é a seguinte: nove da Uefa, sete da AFC (Confederação Asiática de Futebol), seis da CAF (Confederação Africana de Futebol), cinco da Concacaf (Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central), cinco da Conmebol e três da Oceania. Infantino e o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam o quadro.