Jovem em Unei custa mais que mensalidade de Medicina, compara secretário

Titular da segurança pública falou sobre facções, feminicídios e diz que o melhor investimento é na educação

| MARISTELA BRUNETTO / CAMPO GRANDE NEWS


Manter um jovem que violou leis penais internado em uma Unei (unidade educacional de internação) exige uma despesa maior do que pagar a mensalidade de um curso de Medicina, compara o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, para apontar que investir em educação e prevenção traz resultado mais relevante do que o trabalho posterior, de repressão e punição. São R$ 14 mil por mês, revelou Videira, citando também os presos do sistema prisional, que representam despesa individual de R$ 2,7 mil ao mês. Videira conversou longamente com o podcast Na Íntegra, do Campo Grande News e abordou diferentes frentes de ação da segurança pública.

 A forma mais barata de promover segurança pública é investir na educação.'

O secretário abordou a questão prisional e os investimentos que ela demanda. Segundo ele, o Estado tem uma taxa de encarceramento três vezes superior à nacional; 40% dos detentos estão ligados ao tráfico de drogas. O Estado faz fronteira com Bolívia e Paraguai e divisa com Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, uma posição geográfica que o coloca como rota de entorpecentes e atrai muitas pessoas ligadas a organizações criminosas, com metade dos presos de outros estados.

O Estado precisaria de 10 mil novas vagas em presídios, um investimento estimado de R$ 600 milhões para 25 unidades que já começariam a operar lotadas.





A movimentação de facções criminosas rumo às fronteiras atraiu muitas pessoas ligadas a essas organizações ao Estado, gerando uma disputa por poder entre elas e o aumento da violência. O secretário aponta que os números da letalidade em confrontos, com 94 mortos este ano, são um reflexo da movimentação e da resistência de faccionados. Segundo Videira, não há uso desproporcional da força. Ele aponta que os policiais não vão combater uma ação criminosa para morrerem armados; eles vão para prender e ele promete a manutenção de “ações muito firmes' para garantir a ordem.





Vai permanecer assim sob pena de nós perdermos o controle e termos a nossa população afetada por ação dessas disputas.'

O titular da Sejusp mencionou um episódio ocorrido nesta semana na cidade de Cassilândia, em que um adulto e uma criança de 3 anos foram mortos em uma briga de facções. Videira aponta que dois homens foram mortos por policiais e um terceiro, armado, decidiu se entregar e foi preso. Segundo ele, persistiu um clima de 'insegurança terrível' na comunidade.

Assassinato de mulheres - Videira também aponta a educação e prevenção como o caminho inevitável para evitar feminicídios. O Estado já registrou este ano a morte de 20 mulheres por companheiros ou ex-companheiros. O secretário defende que exista abordagem do tema desde a infância para evitar que meninos se tornem agressores e meninas aprendam a evitar relações tóxicas.

Você não tem como evitar o feminicídio sem enfrentar a violência doméstica. Você tem que ampliar os canais para enfrentar a violência doméstica.'

Videira mencionou assassinato recente que ocorreu em Jardim, envolvendo um casal de idosos. Ele disse que quis entender a particularidade. Segundo o secretário, o autor disse em depoimento que matou a mulher porque passaram a brigar “porque ela passou a retrucar.'









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